Filipe Carvalho

Apresentação

Chefe Filipe Carvalho

Restaurante Fifty Seconds, Lisboa

Filipe Carvalho cresceu no meio dos tachos, no restaurante da família em Aveiro. Mas o percurso fulgurante deste chef de 31 anos é hoje mais conhecido fora de portas do que em Portugal. Nas recordações de infância, tem bem presente os rojões da avó ou a broa de sardinhas saída do forno a lenha, mas a cozinha só ganhou peso na sua vida aos 15 anos, quando foi trabalhar com o tio em pastelaria. Formou-se na escola de Hotelaria, Pastelaria e Padaria em Coimbra, de onde saiu para a Quinta da Romeira, ganhar experiência. Em 2006, conhece António Bóia num concurso para a seleção nacional de cozinha, que o convida para trabalhar com ele no restaurante Rio’s, em Oeiras. Aí fica, de 2007 a 2009. Já na capital, fez uma formação com o chef Paulo Morais, especializado em gastronomia asiática, e começa a trabalhar no Hotel Altis Belém, sob a batuta do chef Cordeiro, que o encarrega da cozinha japonesa.

Ao fim de ano e meio, recebe um convite irrecusável: rumar a Nova Iorque para trabalhar no Westchester Country Club, com o chef Edward G. Leonard, e ao mesmo tempo, treinar para o campeonato do mundo de gastronomia. Duas edições mais tarde, no Luxemburgo e na Alemanha, com medalhas ganhas, era tempo de voltar a Portugal. O destino é o restaurante Fortaleza do Guincho (1 estrela Michelin), sob a chefia de Vincent Farges, que lhe dá as bases francesas do seu estilo culinário.

É aqui que cresce como cozinheiro e se cruza com chefs de várias nacionalidades, como o austríaco Dieter Koschina (Vila Joya, de 2 estrelas Michelin) ou o italiano Matteo Ferrantino. Estes convidam-no para o Vila Joya, no Algarve, onde passará o ano seguinte.

Com a saída do chef Cordeiro do Hotel Altis, o novo chef, João Rodrigues, aposta em Filipe Carvalho para sub-chefe. Durante um ano, esta será a sua nova casa, até que Paolo Casagrande, o chef italiano ao leme do Lasarte, um restaurante três estrelas em Barcelona, o convida para sub-chefe. Já como chefe, assume a cozinha do Hotel Monument em Barcelona. Faz a consultoria de um restaurante em Hong Kong, o “Alma”.

Sob a chancela do Martin Berasategui, Filipe prepara-se agora para regressar em breve a Lisboa e assumir um projecto ímpar, com a melhor vista da capital. “Temos liberdade criativa para fazermos o que quisermos”, explica o jovem chef. Enquanto aguarda a abertura, ajuda o amigo Matteo Ferrantino no seu restaurante Bianc, em Hamburgo. Com bases gastronómicas francesas e austríacas, Filipe, 31 anos, confessa-se essencialmente mediterrânico nas escolhas. Adora trabalhar “uma boa carne, bons produtos de época, com acompanhamentos que realçam o sabor”. No fim da refeição, o que mais gosta é da sensação de deixar o cliente feliz. A mesma sensação que continua a ter no fim dos almoços de domingo em casa dos pais, quando o cabrito, o borrego ou a vitela saem do forno a lenha.